Durante a Segunda Guerra Mundial, a Disney se empenhou em usar seus cartoons para mobilizar ainda mais a opinião pública contra Hitler e as demais Potências do Eixo no que pode ser classificado como o front cultural do conflito.

Um dos produtos dessa investida foi o curta-metragem animado A Face do Führer, propaganda antifascista produzida pela Walt Disney Pictures, que venceu o Oscar de melhor curta de animação.

Na trama, o pato Donald acorda na Alemanha Nazista, ao som de uma canção que exalta o ditador Adolf Hitler, num quarto cercado de suásticas. Logo de manhã, ele saúda Hitler, Hirohito e Mussolini.

Forçado a sair da cama, ele logo se veste com a indumentária nazista e toma seu terrível café da manhã. O pão, envelhecido, está tão duro que é preciso fatiá-lo com um serrote. Logo, Donald é obrigado a ler o livro Mein Kampf, escrito pelo Führer.

Acuado, Donald é levado até a fábrica de armas, onde ele terá de trabalhar “48 horas por dia”, “como um escravo”, para Hitler. A cena na qual o pato tem de atarrachar bombas é uma clara alusão ao clássico Tempos Modernos, de Charles Chaplin. Ao final, Donald felizmente acorda do que se revela ter sido um pesadelo. “Eu estou feliz por ser um cidadão dos Estados Unidos da América”, diz, ufanista.

Recentemente, o curta voltou às manchetes globais quando a Rússia, há uma semana, decidiu tirar a produção da lista de “materiais extremistas” banidos do país. A controvérsia surgiu quando um cidadão russo foi processado por fazer o upload do vídeo na internet. O processo judicial que se alongou por seis anos foi encerrado este mês após o tribunal analisar o vídeo, até então considerado algo que “incitava o ódio e a hostilidade”. “Como o desenho mostra o nazismo de forma caricatural, não pode ser visto como ‘extremista'”, entendeu, sabiamente, a corte, segundo a agência de notícias russa Kamchatka-Inform.