Faleceu neste sábado, de causa ainda desconhecida, o diretor e roteirista Michael Cimino. O anúncio foi feito por Thierry Fremaux, diretor do Festival de Cannes, através de sua conta pessoal no Twitter. Cimino foi um dos principais personagens da Nova Hollywood, o período entre os anos 70 e 80 onde diretores autorais ganharam espaço frente a estúdios e produtores no cinema norte-americano. Seu maior sucesso foi O Franco-Atirador, apenas o segundo longa por ele dirigido, que recebeu nove indicações ao Oscar e venceu em cinco categorias, entre elas as de melhor filme e melhor diretor.

Kris Kristofferson e Isabelle Huppert, em “O Portal do Paraíso”
Jovem e no auge da carreira, Cimino fez de O Portal do Paraíso seu projeto seguinte e, por ele, ficou marcado para sempre na história do cinema. Inicialmente estimado em US$ 7,5 milhões, o longa-metragem teve suas filmagens alongadas por 11 meses e estourou – e muito! – o orçamento disponível. No fim das contas, custou US$ 35,1 milhões e ainda mais US$ 9 milhões investidos em marketing. O pífio desempenho nas bilheterias, inferior a US$ 4 milhões, resultou na falência da United Artists, o maior estúdio independente da época.

Estudiosos da história do cinema apontam o fracasso de O Portal do Paraíso como um dos motivos pela derrocada da Nova Hollywood, com os diretores paulatinamente perdendo espaço e poder criativo para os produtores. Tal desempenho também provocou estragos na carreira de Cimino, que se afastou do cinema por cinco anos e, mesmo após a volta, jamais teve o brilho de outrora. O episódio foi tão traumático que, mesmo décadas após o lançamento, o diretor se recusava a responder perguntas sobre o longa-metragem.

De personalidade marcante e com apenas oito longas no currículo – sendo que apenas dirigiu um segmento do episódico Cada Um Com Seu Cinema, que contou com vários outros diretores -, Michael Cimino ficou marcado pela sua ascensão e derrocada meteóricas na indústria do cinema, o que não o impediu de deixar sua marca na sétima arte. Descanse em paz.