Boa notícia aos fãs de histórias em quadrinhos: a HBO lança, a partir do dia 14 de julho, a série HQ – Edição Especial, que retrata a evolução dos quadrinhos no Brasil, entrevistando os principais artistas do gênero, como Maurício de Sousa, Glauco, Laerte, Ziraldo…

A boa surpresa da série é sua abordagem pop e divertida. HQ – Edição Especial tem montagem ágil, trilha sonora jovem e uma concepção moderna de cenários e iluminação. A série também não tem papas na língua: com seu estilo ousado, Angeli fala abertamente sobre o vício em drogas, a representação do sexo e a progressiva perda de memória que compromete seu trabalho Através dos relatos de Angeli, sua assistente e seu editor, a série consegue retratar a evolução do desenho e da liberdade de expressão no país, tocando nos temas da ditadura, da reabertura política e da falência da mídia impressa. Acima de tudo, mostra “até onde você consegue chegar com um lápis e uma folha em branco”, nas palavras do cartunistas. Tudo isso de maneira descontraída e com algumas frases ótimas de Angeli.

Comentando o caráter erótico de suas tiras, por exemplo, ele afirma: “Minha ideia era que o mundo ficasse de pau duro”. Sobre outros cartunistas, critica aqueles que nunca abandonam os mesmos personagens e fazem modificações em suas características principais para agradar ao mercado: “Tive o medo de virar um Maurício de Sousa”, disse, em referência à versão adulta da Turma da Mônica. “Isso não é arte, é comércio”, alfineta.

Se existe um aspecto negativo na série, julgando pelo quarto episódio, é a representação das próprias tiras e charges. Dezenas de tiras desfilam pela tela, mas em tempo tão curto que o público não consegue ler nenhuma delas por completo. Sabemos que existem, são mencionadas pelos entrevistados, mas se o espectador realmente ficar interessado nessas publicações, vai precisar procurar por conta própria.