O diretor e roteirista Charlie Kaufman afirmou que, apesar de todo o sucesso de crítica, Anomalisa não alavancou sua carreira da maneira que ele esperava.

Durante o Karlovy Vary International Film Festival, realizado na República Checa, o cineasta concedeu uma entrevista ao site The Playlist onde falou sobre suas frustrações. “Vocês sabem que eu me sinto decepcionado por ter recebido todas essas críticas ótimas e não ter adiantado nada”, desabafou.

Kaufman dirigiu Anomalisa ao lado de Duke Johnson, com base em um roteiro de sua autoria. O longa-metragem de animação venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza, foi uma das produções mais elogiadas dos últimos cinco anos (o filme ganhou nota máxima na crítca do AdoroCinema) e recebeu uma indicação ao Oscar de melhor animação (perdeu para Divertida Mente).

“[O fracasso comercial] não me fez desgostar do filme. Eu ainda gosto desse filme e me orgulho por tê-lo feito, mas quando a Paramount comprou o filme eu pensei ‘Bem, o filme vai fazer algum dinheiro e vai ajudar minha carreira’.” Orçado em US$ 8 milhões, o filme arrecadou apenas US$ 3,75 milhões nas bilheterias mundiais.

A trama de Anomalisa aborda temas adultos como isolamento e depressão ao acompanhar o protagonista Michael Stone, um palestrante motivacional que se vê às voltas com amores antigos e novos enquanto busca um sentido para vida. Kaufman é a mente por trás de filmes inovadores como Quero Ser John Malkovich, Adaptação. e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças.

Kaufman venceu o Oscar de melhor roteiro original por Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças em 2005.
O diretor e roteirista achou que Anomalisa lhe deixaria num patamar onde os estúdios pensariam “Ok, esse cara é viável. Nós podemos fazer um filme com ele e as pessoas vão assistir.” O diretor ainda disse que só não é mais prolífico por falta de oportunidades e que já teve propostas deséries rejeitadas por Showtime, HBO, FX e Netflix. “Eu acho que se Anomalisa tivesse feito dinheiro, se tivesse feito uns US$ 20 milhões [nas bilheterias], as coisas seriam diferentes.”
Na entrevista, Kaufman ainda revelou que finalizou o roteiro de um filme para a Paramount que contará com Steve Carell no papel, caso receba o sinal verde do estúdio (o que o roteirista diz não ter certeza se vai acontecer.

“Tem sido tão difícil e desmoralizante tentar fazer as coisas acontecerem. Especialmente depois de ter tido esse período em que era fácil fazer as coisas”, afirmou Kaufman, em uma menção à fase mais prolífica de sua carreira, entre o final da década de 90 e começo dos anos 2000. “Você perde o seu momentum muito rápido nessa indústra, acho eu. As pessoas esquecem você.”